
Os novos modelos da Anthropic não são para ti
Quanto custam os novos modelos da Anthropic, quem os devia usar, e o que eu usaria no teu lugar
Por João Coucelo
Os novos modelos da Anthropic não são para ti
Quanto custam os novos modelos da Anthropic, quem os devia usar, e o que eu usaria no teu lugar
Olá !
Esta semana a Anthropic lançou dois novos modelos: Fable 5 e Mythos 5. Toda a gente está a falar disto. Vou dizer-te o que penso: é ruído. E vou explicar porquê.
Nesta edição:
Fable 5 e Mythos 5: impressionantes, mas não são para ti
O criador do Claude Code disse que já não faz prompts. Cuidado com esse conselho
Os modelos que realmente importam esta semana (e são de graça)
Sinal vs Ruído: o que vale a pena saber
Queres saber mais? Vamos a isso.
A Anthropic lançou modelos novos. Não precisas deles.
O Fable 5 e o Mythos 5 custam 50$ por cada milhão de tokens de output. Para teres uma ideia do que isso significa na prática: o modelo anterior, o Opus 4.8 já custava 25$ de output, e era considerado bastante caro para uso intensivo.
O Fable 5 custa o dobro.
Isto não é um problema de preço que vai desaparecer amanhã é uma escolha de posicionamento da Anthropic.
E há outro detalhe que não foi muito falado: o Mythos 5 não está disponível para o público em geral. Está em preview limitado para organizações selecionadas.
O Fable 5 estava inicialmente disponível apenas em planos de subscrição por um período curto e depois passaria a ser acessível via API, com estes preços absurdos. Entretanto ele foi banido de usar fora dos Estados Unidos.
A minha opinião honesta: a menos que tenhas projetos de software altamente complexos, pipelines de automação com dezenas de ferramentas, ou um orçamento de 1 a 3 mil euros por mês só para IA, estes modelos não são para ti. Um prompt ambicioso vai fazer a tua conta ir a zero mais rápido do que pensas.
O que eu queria ver não é isto. O que faz falta neste momento para mim são modelos mais pequenos, mais eficientes e mais baratos, que façam bem as tarefas do dia a dia sem custar uma fortuna.
O criador do Claude Code disse que já não faz prompts. Ignora isso.
Boris Cherny, o responsável pelo Claude Code na Anthropic, disse numa entrevista recente que viralizou: "Já não faço prompts ao Claude. Tenho loops a correr que fazem os prompts pelo Claude e decidem o que fazer. O meu trabalho é escrever loops."
Isto teve quase 700 mil visualizações em 24 horas. Toda a gente partilhou e toda a gente ficou impressionada.
Deixa-me dizer-te o que penso sobre isto.
Primeiro: o Boris passou uma parte significativa de 2025 a escrever os contratos de loop, as skills e as configurações que tornam o fluxo de trabalho atual possível. Escreveu os ficheiros de configuração. Escreveu as especificações de loop. Correu 5 instâncias paralelas do Claude Code contra repositórios separados e observou quais os padrões que produziam output fiável e quais produziam lixo. Esse trabalho todo é prompting. Aconteceu antes dos loops, mas existe.
Segundo: ele é o criador da ferramenta. Tem acesso a recursos, infraestrutura e contexto que tu não tens. O modelo de trabalho dele não é comparável ao de alguém que está a tentar usar IA sozinho ou mesmo numa empresa com 15 pessoas e um orçamento normal.
Terceiro, e mais importante: se seguires este conselho sem estares preparado, vais perder tokens, dinheiro e tempo. A probabilidade de construíres lixo em modo autónomo, sem propósito, sem estrutura, é altíssima.
O meu conselho é o oposto do hype: continua a fazer bons prompts. Continua a dar contexto claro.
Os modelos de IA cometem erros grandes. Precisam de orientação constante e ninguém te devia dizer o contrário.
Enquanto isso, outras empresas estão a construir o futuro. De graça.

Esta semana saíram 2 modelos que merecem muito mais a minha atenção do que o Fable 5, e nenhum deles vai esvaziar a tua conta bancária.
Kimi K2.7 Code - lançado a 12 de junho, pela empresa chinesa Moonshot AI. É um modelo open-source de 1 trilião de parâmetros. O preço na API da Moonshot é 0,95 dólares por milhão de tokens de input e 4 dólares por milhão de output. Compara com os 10 e 50 dólares do Fable 5. O modelo usa 30% menos tokens de raciocínio do que o anterior, o que na prática significa que consegues fazer mais com menos.
Gemma 4 12B - lançado pela Google a 3 de junho. É um modelo otimizado para correr localmente num laptop de empresa normal com 16GB de memória, sem precisar de cloud, sem custos de API, sem nada. Podes descarregá-lo e usá-lo offline. De graça.
Estas duas empresas estão a construir para as pessoas. Estão a tornar os modelos acessíveis, a deixar os programadores construir em cima deles, a criar ecossistemas abertos. A Anthropic está a construir modelos cada vez maiores e mais caros, com restrições de acesso, num modelo fechado onde pagas para usar o que eles decidem disponibilizar.
Não estou a dizer que o Claude é mau. Uso-o todos os dias. Estou a dizer que o direito de acompanhar este setor não pertence só às empresas com orçamentos altos e estes 2 lançamentos são prova disso.
Sinal vs Ruído

Sinal vs Ruído
Cada semana filtro o que importa em quatro quadrantes: sinal real agora, ruído agora, sinal para daqui a um ano, e ruído para daqui a um ano.
AGORA / SINAL
Portugal: o IFIC fecha candidaturas a 30 de junho.
É a linha de financiamento do governo para adoção de IA em PMEs, cobre até 75% do investimento com um máximo de 300 mil euros por empresa. Se tens um projeto concreto e ainda não te candidataste, vale a pena ver se és elegível.
ChatGPT ultrapassou mil milhões de utilizadores mensais ativos. O que isto significa para ti: a ferramenta que os teus clientes, amigos e colaboradores mais usam é provavelmente o ChatGPT.
AGORA / RUÍDO
O AI Act entra em vigor a 2 de agosto e vais ouvir muito sobre isso. A maior parte vai ser consultoras jurídicas a vender medo. Se usas IA para produtividade interna e não para tomar decisões automáticas sobre pessoas, o impacto direto no teu dia a dia é mínimo por agora.
MAIS TARDE / SINAL
Portugal: o governo lança no segundo semestre uma plataforma nacional de IA low-code para PMEs. Quando isso acontecer, a desculpa de "não sei por onde começar" deixa de existir para qualquer empresa portuguesa.
MAIS TARDE / RUÍDO
Mundo: a Salesforce anunciou mais despedimentos esta semana, por causa de IA. O CEO disse que a eficiência "atingiu níveis sem precedentes". Eu não acredito muito nesta narrativa. Para ti, o que importa não é ter medo disso, mas perceber quais as tarefas repetitivas no teu dia a dia que já podias estar a delegar à IA, antes que alguém tome essa decisão por ti.
Antes de ires embora
Esta newsletter existe porque acredito que a IA não é só para quem tem grandes orçamentos ou equipas técnicas de 50 pessoas. É para pessoas/empresas normais, com recursos normais, que querem trabalhar melhor.
Mas para isso acontecer, precisamos de uma conversa real. Não de partilhar ou acreditar em posts virais sem pensar.
Por isso tenho um pedido simples: responde a este email com uma frase.
Diz-me qual é a ferramenta de IA que usas todos os dias e se achas que ela está a ter impacto real ou se é só hábito. Leio todas as respostas e as mais interessantes entram na próxima edição.
E se achaste esta edição útil, partilha com um amigo ou colega que conheças que ainda está a tentar perceber onde a IA encaixa na vida dele. Não precisas de dizer nada, basta reencaminhar. É a forma mais simples de me ajudar a chegar a mais pessoas.
Chegámos ao fim desta edição da CouceloIA.
Se quiseres trabalhar comigo, visita oficina-ia.com.
Até à próxima!
João Coucelo

