
Foi lançado o primeiro modelo português de IA
Será que este modelo consegue competir com outros do mercado?
Por João Coucelo
Foi lançado o primeiro modelo português de IA
Será que este modelo consegue competir com outros do mercado?
Olá !
Esta semana foi lançado o primeiro modelo oficial Português, o Amália, e eu fui logo pô-lo à prova.
Ao mesmo tempo, como toda a gente anda a dizer que a IA está a acabar com os empregos, fui também aos números de 2025 ver se é mesmo verdade. São duas histórias diferentes que, no fim, apontam para o mesmo sítio.
Nesta edição:
Testei o primeiro modelo português de IA - Amália
A IA está mesmo a destruir empregos? Fui aos números de 2025
Sinal vs Ruído
Queres saber mais? Vamos a isso!
Testei o primeiro modelo português de IA - Amália
Assim que o Amália ficou disponível, corri-o na minha própria máquina.
Comecei por testar o exame nacional de Português de 2024, ao lado do ChatGPT e do Claude.
O Amália respondeu corretamente a 4 em 7, ChatGPT 6 em 7, Claude 7 em 7.
Os gigantes americanos ganham aqui, mas essa comparação nem é justa.
O Amália é pequeno, 9 mil milhões de parâmetros, e corre num portátil o ChatGPT e Claude usam modelos gigantes a correr em servidores poderosos.
Por isso fiz a prova a sério. Amália contra modelos abertos do mesmo peso, de 8 a 20 mil milhões de parâmetros. O Amália contra o Qwen3.5, o Qwen2.5, o gpt-oss, o Gemma e o Llama.
E a história mudou!
O Amália fica em segundo na naturalidade, quase a acompanhar o Qwen3.5, e é o único de todos a escrever com zero brasileirismos. Contra os gigantes ficava em último, entre modelos do seu tamanho é dos melhores, e no português limpo é o melhor de todos.

O senão é que escreve um bocado formal de mais, e é lento a correr no meu computador.
Na minha opinião, é isto que muda a conversa. No seu peso é dos melhores a escrever a nossa língua.
Agora, o valor continua a não estar no modelo em si, está à volta dele, no preço, na velocidade, em pôr o modelo certo para cada tarefa.
Escrevi um guia de tudo o que fiz, aqui: oficina-ia.com/guias/melhor-modelo-ia-open-source-portugues
A IA está a destruir os empregos? Fui ver os números
Todas as semanas leio que a IA está a destruir empregos.
Fui ver os números de 2025, e algo não bate certo com a realidade. Nos Estados Unidos anunciaram-se cerca de 1,2 milhões de cortes no ano passado, o valor mais alto desde 2020. Parece o fim do mundo, até vermos de onde vieram.
Quantos foram por causa da IA?
54 mil, à volta de 5% do total, uma em cada vinte.
O que liderou mesmo foi outra coisa, os cortes no Estado, a economia fraca, o fecho de lojas e de armazéns. A IA, que enche os títulos dos jornais, foi a fatia mais pequena de todas.
E no fim das contas o ano até fechou com mais empregos do que começou, mais 181 mil (isto nos EUA).
No caso da IA o que se corta é o trabalho repetitivo, o back office, o call center, e o que cresce é o trabalho que precisa de mão, de presença e de juízo, aquilo que a IA não faz.
Na minha opinião, para uma empresa pequena a leitura não é despedir e meter IA no lugar.
É perceber que a IA te tira de cima as tarefas chatas e repetitivas, e o valor das tuas pessoas passa a estar no que a máquina não sabe fazer, decidir, falar com o cliente, resolver o que foge à regra.
Repara mais uma vez: o valor não está na máquina, está à volta dela, nas pessoas e no trabalho que só elas fazem.
Sinal vs Ruído

Todas as semanas olho para o que aconteceu no mundo da IA e coloco numa grelha simples.
Sinal ou Ruído: há aqui algo que importa mesmo, ou é só barulho que vai desaparecer em 2 dias?
Agora ou Mais Tarde: isto afecta-te já, esta semana, no teu trabalho ou é algo que vai acontecer daqui a 6 meses ou 1 ano?
AGORA/SINAL
Um estudo, saído há cerca de um mês, mostra que as empresas portuguesas estão a acelerar o investimento em IA sem terem regras internas definidas, e que a IA é já a prioridade número um de investimento para 43% dos inquiridos. O inquérito foi feito entre 16 de Abril e 8 de Maio. Afeta-te se és tu a decidir onde entra a IA na empresa.
AGORA/RUÍDO
A OpenAI anunciou o GPT-5.6 a 26 de Junho, em três versões, mas o governo americano travou o lançamento e deixou-o só para cerca de 20 parceiros. Para ti, hoje, não lhe tocas, portanto é barulho.
MAIS TARDE/SINAL
No lançamento do Amália, a 1 de Julho, o Estado abriu o portal ia.gov.pt, pensado para ser a porta de entrada única para as soluções de IA da Administração Pública. Passas a ter um sítio só para ver o que o Estado anda a fazer com IA, e onde descarregar o que é aberto. Vale a pena ir seguindo, por agora ainda está a começar.
MAIS TARDE/RUÍDO
No lançamento, a 1 de Julho, prometeram que o Amália vai crescer dos 9 para os 22 mil milhões de parâmetros e aproximar-se dos grandes. Quando chegar, testo novamente.
Antes de ires embora
Se há uma ideia com que quero que fiques desta edição é esta: o valor não está no modelo, está à volta dele. Os modelos vão e vêm, uns ganham benchmarks, outros correm na tua máquina, uns são tirados do mercado e depois voltam. O que fica é o que constróis à volta deles, as ferramentas, os processos, as pessoas que sabem usar isto.
Fica-me a curiosidade: quantas ferramentas de IA é que usas neste momento? Responde a este email a dizer.
Leio todas as respostas. As mais interessantes entram na próxima edição.
E se quiseres ver isto, faz um diagnóstico gratuito que te mostra onde a IA já te dá jeito e onde é só barulho: oficina-ia.com
Obrigado e até à próxima!
João Coucelo

