
Pedido vs Processo: a distinção que muda tudo na IA
Toda a gente usa IA. Poucos têm um processo. Aprende a diferença e a framework para construir o teu.
By João Coucelo
Pedido vs Processo: a distinção que muda tudo na IA
Toda a gente usa IA. Poucos têm um processo. Aprende a diferença e a framework para construir o teu.
Olá !
Há uma distinção que poucos fazem quando usam IA no dia a dia e é a que mais muda os resultados.
Não é sobre qual ferramenta usar. Não é sobre o prompt perfeito. É sobre perceber que há duas formas completamente diferentes de trabalhar com IA, e a maioria das pessoas só conhece uma.
Nesta edição:
Pedido vs Processo: as duas formas de trabalhar com IA.
MOTOR: a framework para construir um processo que funciona sempre.
As 3 skills que toda a gente devia ter esta semana.
Sinal vs Ruído: o que aconteceu no mundo da IA.
Queres saber mais? Vamos a isso!
Pedido vs Processo
As duas formas de trabalhar com IA
Quando pedes um café num café local, estás a delegar um resultado. O café pode vir diferente dependendo do empregado e do dia.
Pedes a mesma coisa, recebes coisas diferentes.
Agora pensa num Starbucks. O pedido é o mesmo, o resultado é sempre igual.
Não porque o empregado seja melhor, mas porque existe um manual por trás. A temperatura, a quantidade, o processo: está tudo definido e escrito.
É a mesma diferença na IA.
A maioria das pessoas usa o ChatGPT como o café local: abre, pede para escrever um email, corrige metade, segue em frente.
No dia seguinte faz o mesmo pedido, corrige outra vez, porque o ChatGPT não se lembrou de nada. Ao fim de 6 meses ainda está a explicar as mesmas coisas à mesma ferramenta.
O problema não é a ferramenta. É não teres o manual.
O resultado depende do modelo, do contexto da conversa e da probabilidade.
A alternativa é o processo.
Defines como a tarefa deve ser feita, em que ordem, com que critérios, e que resultado queres, guardas isso e a ferramenta usa esse processo sempre que precisas, sem precisares de explicar de novo.
Um pedido dá-te um resultado. Um processo dá-te sempre o resultado certo.
MOTOR
Como construir um processo em 5 passos
Estes processos chamam-se skills.
O Claude tem, o ChatGPT tem (em certos planos), o Gemini está a caminhar para lá. Todas as ferramentas estão a convergir para o mesmo modelo: em vez de explicares tudo em cada conversa, a ferramenta lê o processo e executa-o automaticamente.
Para criares uma skill uso uma framework que chamo MOTOR:
M de Momento: quando é que a skill deve ativar? Em que situação?
O de Ordem: que passos executa e em que sequência?
T de Tarefas: o que faz em cada passo e como?
O de Output: que formato, extensão e estrutura queres no resultado?
R de Restrições: quando é que a skill não deve ativar? o que não deve fazer?
Com estes 5 pontos tens um processo completo. Podes criá-lo tu mesmo, pedindo à ferramenta que te ajude a construí-lo a partir do teu contexto.
O que o MOTOR resolve não é só o teu problema individual. Numa equipa onde toda a gente usa skills iguais, o Manuel, a Joana e a Rute entregam o mesmo resultado, independentemente da ferramenta que cada um usa.
É assim que a IA passa de brinquedo pessoal a sistema de trabalho.
Na minha opinião é aqui que está o salto real de produtividade, não em usar mais ferramentas, mas em ter menos pedidos e mais processos.
As 3 skills que toda a gente devia ter

Há 3 tarefas que aparecem no trabalho de quase toda a gente, são feitas regularmente, e continuam a ser feitas com pedido em vez de processo.
A primeira é a resposta a emails.
Se respondes a 10 emails por dia, vais poupar tempo.
Na skill define a tua saudação, o teu tom, a forma de te despedires, e entrega-te uma resposta pronta a enviar com ajustes mínimos.
A segunda é o resumo de reuniões.
Colas a transcrição, recebes os follow-ups, as decisões e os pontos principais, sem escrever nada. Quem não tem esta skill está a perder 20 minutos depois de cada reunião sem necessidade.
A terceira é o primeiro rascunho.
Proposta, post, relatório, comentário: a skill define o formato, o tom e a estrutura que queres, e entrega-te algo que precisas de editar durante 2 minutos em vez de escrever do zero.
Começa por uma, a que mais repetes. Se funcionar bem, adicionas outra.
Sinal vs Ruído

Todas as semanas olho para o que aconteceu no mundo da IA e coloco numa grelha simples.
Sinal ou Ruído: há aqui algo que importa mesmo, ou é só barulho?
Agora ou Mais Tarde: afeta-te esta semana, ou é algo para teres no radar?
AGORA / SINAL
A 28 de maio a Anthropic lançou o Claude Opus 4.8, o modelo mais capaz que a Anthropic já disponibilizou a público. Melhor raciocínio em tarefas complexas, melhor em código, melhor em tarefas com múltiplos passos.
Mas o número que mais me impressionou não foi nenhum benchmark. Foi que em 2025, os agentes de IA tinham uma taxa de sucesso de 20% em tarefas do mundo real em Maio de 2026 essa taxa passou para 77%.
Na minha opinião estamos a chegar ao ponto em que podes delegar tarefas completas a um modelo e confiar que ele as faz. Não perfeitamente, mas suficientemente bem para poupar tempo real.
AGORA / RUÍDO
O Vaticano publicou um texto sobre IA, "Magnifica Humanitas", apresentado com um co-fundador da Anthropic.
Tem 105 páginas e fala sobre como a IA pode ser uma ameaça ou pode servir a dignidade humana. Posição do Papa: a IA não é neutra "assume as características de quem a concebe, financia e utiliza." A humanidade enfrenta "uma escolha decisiva."
Não muda nada no teu trabalho desta semana.
MAIS TARDE / SINAL
O CEO da Microsoft AI disse esta semana que a IA vai alcançar a performance humana na maioria das tarefas profissionais em 12 a 18 meses. Marketing, contabilidade, código, gestão de projectos.
Na minha opinião não é verdade para Portugal e por enquanto não vai mudar muito no teu dia a dia.
MAIS TARDE / RUÍDO
A Anthropic fechou esta semana uma ronda de financiamento de 30 mil milhões de dólares, o que a coloca com uma valorização de mais de 900 mil milhões. Pela primeira vez vale mais do que a OpenAI.
É um número impressionante mas também não muda nada no teu trabalho.
Antes de ires embora
A semana passada perguntei qual a ferramenta que mais usas no trabalho, esta resposta foi muito boa porque reflete exatamente o que tenho falado nas últimas 2 semanas.
“O que mais uso é o ChatGPT mas já estou a notar essa sensação de estar sempre a perguntar o mesmo e ele devolve diferente, uso já há algum tempo e tenho prompts guardadas mas a sensação continua”
Responde a este email com uma coisa: já tens alguma skill criadas? Se sim, para quê é que as usas?
Leio todas as respostas. As mais interessantes entram na próxima edição.
Chegámos ao fim desta edição da CouceloIA, obrigado por teres chegado até aqui.
Se queres trabalhar comigo visita: oficina-ia.com
Obrigado e até à próxima!
João Coucelo

