
Em 2025 a IA ficou maior, mais útil e mais desconfortável
Não foi um ano de descobertas mágicas mas de consolidação e de choque com a realidade.
By João Coucelo
Em 2025 a IA ficou maior, mais útil e mais desconfortável
Não foi um ano de descobertas mágicas mas de consolidação e de choque com a realidade.

Olá !
Na newsletter de hoje vamos fazer uma retrospectiva do ano da inteligência artificial.
Olhar para os números e para o que realmente mudou este ano vai ajudar a separar o progresso real de ruído.
No geral olhando para 2025 o que mais me surpreendeu foi a evolução nas imagens e nos vídeos.
A qualidade subiu bastante e passou a ser realmente utilizável.
O Gemini também melhorou muito ao longo do ano, sobretudo em consistência e diferentes ferramentas que oferece.
Outro ponto claro foi a corrida das empresas pela infraestrutura, com investimentos enormes em data centers.
Foi um ano de muita progressão e muitos lançamentos.
Fala-se numa bolha mas eu acho que ainda há muito espaço para crescer e acredito que este ritmo vai continuar nos próximos anos.

Vejo a IA em quase todo o lado mas com desconfiança
Em 2025, a IA passou definitivamente a fazer parte do dia a dia.
Mais de 180 milhões de pessoas usam estas ferramentas todas as semanas e cerca de 70% das empresas já têm IA em pelo menos um processo interno.
Isto é enorme.
Mas ao mesmo tempo, menos de 25% dessas empresas confia na IA para decisões críticas.
E isto diz muito.
Usa-se IA para acelerar, organizar, escrever, resumir.
Não para decidir sozinha quando algo realmente importa.
A produtividade aumentou mas sem milagres
Os números dizem que ao longo do ano os ganhos reais em produtividade ficaram entre 10% e 25%.
Nada de 10x, por enquanto.
A IA ajudou bastante em tarefas repetitivas, escrita e análise básica.
Mas também vimos muitos projetos morrerem cedo.
Cerca de 40% das iniciativas de IA em empresas nunca passaram do projeto inicial, quase sempre por dados fracos ou expectativas mal definidas.
A tecnologia funciona. O contexto nem sempre.
Substituir pessoas saiu caro
Algumas empresas tentaram ir longe demais.
Cortaram equipas e apostaram forte em IA.
Em 2025 ficou claro que isso não resultou.
Segundo os números só 4 a 5% dos postos administrativos foram realmente automatizados de forma consistente.
E mais de 60% das empresas que despediram pessoas para apostar em IA acabaram por voltar a contratar humanos no espaço de um ano.
A IA cortou tarefas.
Não cortou a necessidade de pessoas competentes.

Fonte: The Conversation
A internet ficou cheia mas não melhor
Metade do conteúdo online passou a ser criado por IA.
Durante algum tempo isto funciona mas cada vez menos.
O conteúdo genérico começa a perder alcance e desempenho.
Os motores de busca e plataformas passaram a valorizar mais contexto, autoria e intenção.
Criar ficou fácil.
Criar algo que importa continua difícil.
As fraudes com deepfakes também cresceram mais de 300%.
Vídeos e áudios falsos tornaram-se suficientemente bons para enganar muita gente.
Ver deixou de ser suficiente.
Confirmar passou a ser obrigatório.
Este foi um dos pontos que mais me marcou em 2025, porque, para mim, representa um dos maiores perigos da IA.
A verdadeira corrida está na infraestrutura
Mais de 250 mil milhões de dólares foram investidos em IA em 2025.
A maior parte desse dinheiro não foi para ideias novas, mas para computação, chips, energia e data centers.
Cada vez mais, quem controla infraestrutura controla o ritmo da evolução.
A minha conclusão
Para mim, 2025 foi o ano em que ficou impossível fingir.
A IA funciona, mas não pensa.
Acelera, mas não decide.
Ajuda muito, mas não substitui o pensamento crítico.
Quem usou 2025 para aprender ferramentas e aumentar a produtividade ganhou vantagem.
Quem acreditou em promessas fáceis perdeu tempo.
No próximo ano a conversa muda.
Já não é sobre ter IA. É sobre saber usá-la bem.
E isso vai fazer toda a diferença.
Menos hype.
Mais uso real.
Mais cuidado.
Se gostas-te deste conteúdo e queres dominar a IA em 2026 junta-te à nossa comunidade de inteligência artificial.
Esta newsletter também marcou muito o meu 2025, é ótimo poder partilhar notícias, ideias e dicas contigo.
Muito obrigado! Bom ano!
João Coucelo
