
Com este acordo o Claude quer estar em todas as empresas do mundo
E também... analiso o maior estudo de sempre sobre o uso de IA.
By João Coucelo
Com este acordo o Claude quer estar em todas as empresas do mundo
E também... analiso o maior estudo de sempre sobre o uso de IA.
Olá !
Podia colocar nesta newsletter dezenas de notícias escritas por IA mas não é assim que vejo este espaço. A newsletter é um lugar para ver a IA com um olhar humano.
Por isso, esta semana li 3 notícias que me fizeram parar para pensar, e é sobre elas que vou falar. Não prometo falar de tudo o que acontece, não prometo falar só de software ou de novas aplicações. Prometo falar do que considero mais relevante, do que consigo analisar a fundo, para te dar uma visão honesta sobre aquilo que nos afeta a todos.
A Anthropic quer o Claude em todas as empresas do mundo

A Anthropic anunciou um investimento de 100 milhões de dólares para criar uma rede de parceiros empresariais, com nomes como Accenture, Deloitte e Infosys.
A minha leitura é simples: o ChatGPT é para toda a gente. O Claude está a tornar-se a ferramenta das empresas.
Enquanto o ChatGPT cresceu a ganhar utilizadores individuais aos milhões, a Anthropic está a apostar numa estratégia diferente: entrar nas maiores empresas do mundo através das consultorias que já gerem a infraestrutura tecnológica delas.
Eles não precisam de mil milhões de utilizadores se estiverem a ser usados pela maioria das empresas da Fortune 500.
Porque é que eu prefiro o Claude?
Uso o Claude diariamente para trabalho técnico, para redigir, para analisar. O ChatGPT é excelente para muita coisa, mas quando o trabalho é complexo, quando preciso de raciocínio mais cuidado e menos "resposta rápida", o Claude ganha.
Esta aposta da Anthropic faz todo o sentido para mim porque é exatamente esse o perfil de ferramenta que gosto: menos popular, mais preciso.
Se queres aprender a usar o Claude como eu junta-te à nossa comunidade de IA no Skool.
Um agente entrou na plataforma interna da McKinsey em apenas 2 horas

Implementar IA em empresas faz todo o sentido, tal como falei acima, mas enquanto muitos pensam que o perigo vem de robôs que vão agir contra nós ou ataques mega complexos, o problema no presente não é esse.
São agentes de IA relativamente simples que conseguem desbloquear e entrar em sistemas em horas ou minutos. Sistemas que parecem funcionar há anos, que parecia estar tudo bem, mas os agentes não se cansam de rever dados, não se esquecem de nada, e não descansam até conseguirem entrar.
A plataforma da McKinsey chamava-se Lilli, usada por mais de 40.000 funcionários. A vulnerabilidade que o agente explorou era injeção de SQL básica, uma técnica que existe desde os anos 90.
A maior parte dos sistemas tem falhas, simplesmente ainda não foram exploradas. Com o avanço dos agentes serão, e isso vai trazer grandes problemas.
O que isto significa?
Mesmo com IA as bases mantêm-se: segurança, proteção de dados, conformidade.
Mas também que as empresas devem construir os seus próprios agentes para atacarem e defenderem as suas plataformas.
Mais vale construir internamente do que esperar que alguém de fora o faça.
81.000 pessoas disseram o que querem da IA

A Anthropic fez o maior estudo qualitativo alguma vez feito sobre IA: 81.000 utilizadores, 159 países, 70 línguas.
À primeira vista as pessoas queriam mais produtividade da IA, mas depois de algumas perguntas o que se percebeu foi que não é bem assim.
As pessoas querem mais qualidade de vida.
Passar mais tempo com os filhos, dar mais atenção a cada cliente, ter a cabeça limpa.
"Com IA consigo ser mais eficiente no trabalho... na terça-feira passada permitiu-me cozinhar com a minha mãe em vez de acabar tarefas." (Colômbia)
"Quero gastar menos energia mental nos problemas dos clientes... ter tempo para ler mais livros." (Japão)
Neste estudo também falaram de IA na saúde e referem que é mesmo muito importante, as pessoas querem que a IA detete cancro mais cedo, acelere a descoberta de medicamentos, não só porque parece bem mas porque perderam membros de família e entes queridos para essas doenças.
Em relação ao valor da IA 19% das pessoas dizem que a IA não entrega, e achei esta frase muito interessante:
"A IA devia estar a limpar janelas e a esvaziar a máquina de louça para eu poder pintar e escrever poesia. Neste momento é exatamente o contrário." (Alemanha)
É o sentimento de muitas pessoas e é muito válido.
Algumas empresas estão a apostar em coisas que deviam ser humanas a fazer. Mas é como a IA funciona nos dias de hoje, e para chegarmos a limpar janelas temos de passar por saber analisar poesia e escrever músicas.
As maiores preocupações são: falta de fiabilidade, substituição no mercado de trabalho, e perda de autonomia de pensamento.
"Tive de tirar fotos para convencer a IA de que estava errada. Foi como falar com uma pessoa que não admite o erro." (Brasil)
Muitas vezes a dificuldade da IA perceber que está errada ou de aceitar que está certa quando lhe dizemos que não está, é um desafio gigante.
Na maior parte dos temas não existe uma fonte de verdade absoluta.
A IA foi treinada com tudo o que existe na internet, o bom e o mau, o certo e o errado, e quando há conflito de informação ela não sabe bem onde se situar.
Resultado: às vezes insiste quando devia ceder, e cede quando devia insistir.
Para concluir, no fundo, o que este estudo mostra é que as pessoas não têm medo da IA em si.
Têm medo de perder o que é delas: o tempo, o trabalho, a autonomia de pensar.
Provavelmente vai mudar muita coisa que conhecemos hoje.
Mas ficar a olhar não é opção.
Há demasiado negócio por abrir, demasiadas oportunidades por explorar, demasiadas coisas boas para fazer no mundo. Seria ridículo não aproveitar.
A questão não é se a IA nos vai afetar. É se estás do lado de quem age ou do lado de quem fica a ver.
Chegámos ao fim desta edição, a Oficina de IA é muito mais que uma newsletter é um ambiente para aprender, usar e construir com IA.
Temos uma comunidade no Skool onde podes aprendes a construir agentes e apps com IA.
Se a tua empresa quer usar IA ou já usa IA mas sem estrutura nem plano, posso ajudar a perceber onde está a ter impacto real e o que fazer a seguir.
Obrigado e até à próxima!
João Coucelo
